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quinta-feira, 23 de junho de 2011

História e personagens do Bairro

Com o intuito de resgatar a história do bairro, abaixo segue uma entrevista realizada com uma das primeira moradoras. A entrevista foi realizada no ano passado para um jornal do bairro que infelizmente não pode ser concretizado por questões materiais. A entrevista foi realizada por Volmar Godinho e Gilberto Moysés.

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A senhora Eloá Aquino, foi uma das primeiras moradoras do Bairro Promorar.

Ela chegou ao novo núcleo habitacional no final de 1984, contemplada com uma casa.

Segundo dona Eloá, era um bairro tranquilo , apesar de não existir calçamento nas ruas e nem Onibus urbano. Os vizinhos eram todos gente boa e unidos. Tudo o que foi conseguido no bairro, foi resultado de muita “luta” e mobilização dos moradores.

Mãe de três filhos, dona Eloá, morou no bairro Zachia até o ano de 2008, e hoje está aposentada e residindo numa chácara no Bairro São João juntamente com seu irmão Natalicio.

Dona Eloá, afirmou que sente muitas saudades do bairro, onde deixou muitos amigos, e que apesar de ter a fama de ser violento não era não, pois violência existe em todos os lugares de Passo Fundo. Ela teve que se mudar do bairro devido a problemas de saúde, pois os filhos se casaram e ela estava se sentindo muito sozinha, então tomou a decisão de ir morar junto com seu irmão para tratar dos seus problemas de saúde.

TRECHOS DA ENTREVISTA COM D. ELOÁ, A NÚMERO “01”

CC – EM QUE ANO A SENHORA FOI MORAR NO BAIRRO ZÁCHIA?

ELOÁ – AGORA EU NÃO SEI. SÓ LEMBRO QUE FUI A PRIMEIRA MORADORA.

CC – ONDE SE LOCALIZAVA SUA CASA?

ELOÁ – NA CASA 05 DA QUADRA 03.

CC – COMO ERA A VIDA NO INÍCIO?

ELOÁ- COM MUITA DIFICULDADE. TUDO ERA LONGE. A GENTE ERA POBRE. O REMÉDIO E A COMIDA, POR EXEMPLO, ERAM COMPRADOS NA CIDADE, A PÉ OU DE BICICLETA. EU TINHA 03 CRIANÇAS PEQUENAS E A LUTA ERA GRANDE. NÃO HAVIA EMPREGO.

CC – POR QUÊ FOI MORAR NO ZACHIA SE ERA TÃO DISTANTE DA CIDADE?

ELOÁ – PARA ME LIVRAR DO ALUGUEL. LÁ ERA NOSSO. FOI COMPRADO.

CC – QUANTAS FAMÍLIAS HABITARAM O LOCAL NO COMEÇO DE TUDO?

ELOÁ – 54 FAMÍLIAS, TODAS COMPOSTAS DE OPERÁRIOS. HOJE SÓ RESTARAM OS SEGUNDOS MORADORES EM DIANTE.

CC – FOI DIFÍCIL PAGAR A CASA?

NÃO. ADQUIRI DO PRÓ-MORAR E PAGUEI CR$ 12,00 (DOZE CRUZEIROS) POR MÊS.

CC – HAVIA INFRAESTRUTURA (BENFEITORIAS) NO LOCAL?

ELOÁ – NÃO TINHA CALÇAMENTO, ESGOTO, NEM POLICIAMENTO. SÓ ÁGUA, LUZ E MUITOS MOSQUITOS. O ÔNIBUS DE PASSAGEIROS CUSTOU A CHEGAR. O CALÇAMENTO FAZ 03 OU 04 ANOS.

CC – LEMBRA O NOME DOS PRIMEIROS MORADORES DO BAIRRO ZÁCHIA?

ELOÁ – SIM, DONA MARIA, SEU MINDO, O ZÉ, A SALETE, A DONA ANA, A OUTRA MARIA.

CC – OS POLÍTICOS COMPARECIAM NO LOCAL?

ELOÁ – APARECIAM BASTANTE. PROMETIAM MAS NÃO CUMPRIAM, COMO ATÉ HOJE (risos)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Levante sua voz

Reproduzo abaixo texto do companheiro Lucas Vieira, que trata sobre mídia e comunicação popular, publicado no Blog Assessoria Jurídica Popular, do qual também sou membro da equipe.

mijam em nós e os
jornais dizem: chove!

Já fora afirmado aqui no blogue, que Lênin esbravejando da sacada do palácio não faz mais revolução. Tal provocação nos convidava a pensar uma outra comunicação, uma contra-comunicação, um modo próprio, popular de se comunicar, em tempos de Intenet, Tv, etc.

A pergunta que é central, dentro dessa discussão, é como o povo pode se reconhecer nesses meios de comunicação, se ele não a constrói? É certo que a comunicação vai para além desses grandes instrumentos (tv, rádio, internet, jornais, revistas) e passa desde uma reunião de trabalhadores insatisfeitos com suas condições, até por um ato público, uma manifestação em que se transmite alguma idéia através do poder de mobilização. Porém, não podemos negar a influência dos grandes meios que, pelo seu alcance, são um dos principais responsáveis pela internalização da ideologia dominante.


A Necessidade de um espaço próprio, legítimo e popular se faz ainda mais presentes para os movimentos sociais e populares. Não é novidade alguma que a mídia serve como instrumento de deslegitimação e criminalização desses movimentos. Quando há algum espaço - o que é raro - que não vá nesse sentido, geralmente descontextualiza-se, deturpa-se o caráter do movimento, descaracterizando-os.

Tive uma oportunidade recente, por ocasião, do Encontro Regional de Estudantes de Comunicação (ERECOM), realizado aqui em teresina, de facilitar junto com aENECOS (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação) uma oficina sobre comunicação popular com uma ocupação urbana que, inclusive, é acompanhada pelo CAJUINA (Centro de Assessoria Jurídica Popular de Teresina). No diálogo com os ocupantes ficava claro que mesmo o mais bem "ameno" meio de comunicação que entrou em contato com o Movimento, queria apenas adaptá-lo a sua visão (Talvez pelo fato de ser um prédio abandonado pelo poder público, alguns ataques por parte da mídia foram mais amenos), quando não o criminalizava diretamente; sendo relatado por uma ocupante, inclusive, que uma repórter queria ditar as respostas que seriam divulgadas na TV. Espaço maior, claramente, sempre era dado ao poder público. Após o diálogo, tentou-se, na oficina proporcionar meios para a comunicação do próprio movimento, interna e externamente, com jornal-mural, fotos, depoimentos em vídeos feitos pelos próprios ocupantes.


foto tirada ao final da oficina.

Nesse sentindo, muito interessante o vídeo "Levante sua voz", produzido pelo Coletivo Intervozes:


O Mesmo Coletivo, há alguns dias, se manifestou após o Ministério das Comunicações divulgar lista dos detentores de outorgas de rádio e TV no Brasil. Só a título de exemplo, o Coletivo coloca que 21% dos Senadores e 10% dos deputados federais sãoconcessionários de rádio e TV. Fácil perceber que não vai vir do Congresso a iniciativa em questionar essas concessões, nem muito muito menos serão esses meios de comunicação que fomentarão uma comunicação popular. O manifesto na íntegra pode ser lido aqui.


Outro documento interessante para esse debate é Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) que tinha como objeto, entre outros, atacar "Omissão legislativa inconstitucional em regular a proibição de monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social". Ação essa, não sem surpresa, arquivada por ilegitimidade ativa.

Discutir comunicação alternativa, assim, passa desde uma produção de formas de comunicação dentro dos movimentos - seja para diálogo interno, seja para externalização de suas práticas - e necessariamente, passa pela contestação da comunicação dominante.

Quem sabe assim, construindo essa contra-comunicação, consigamos vivenciar, frequentemente, um fato pelo qual, Vinicius de Moraes já "poetizava": o operário ser escutado pelo próprio operário.

(...)

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

(...)

Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

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Importante conferir: